terça-feira, 10 de novembro de 2009

Os homens invisíveis


A cidade não quer vê-los. Todos insistem em fechar os olhos quando se deparam com eles, ou simplesmente fingem não ver. Mas eles não possuem super-poderes. Não podem se fazer de invisíveis quando querem. A invisibilidade está nos olhos de quem vê.
Eles não têm moradia. Se viram como podem para se esconder debaixo das marquises, pelas calçadas da cidade. Morrem de frio quando chove, pois não tem agasalho. Se enrolam em caixas de papelão para manter o corpo quente. Comida no estômago é coisa rara. Nada de arroz, feijão nem carne. Enganam-se com pão velho e água. As vezes, alguem deixa uma quentinha. Como no Natal, por exemplo. Banho, só se for nos chafarizes das praças, e rápido. Fazem dos cachorros, abandonados como eles, de amigos, pois os animais não são traidores como os humanos. Muitos os acham loucos. Não entendem que não estão lá por opção, e sim por falta dela. Crescer na rua é aprender desde cedo toda crueldade do mundo. Existem os que podem e os que não pode, os que tem acesso e os que não tem, os homens de bem e os homens de rua.
O fim de ano chega. Natal, ano novo, é tempo de pensar no próximo. Então, os homens invisíveis vão ganhando cor. Vão se destacando em meio aos carros, nos sinais ou no meio fio. As pessoas precisam achá-lo para fazer o bem e começar o ano com a consciência mais limpa. Eles criam forma, mas nunca deixaram de ter. Só deixaram de ser vistos, porque quando o ano começa, ninguém mais precisa ser caridoso.

"O Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros" - Chico Xavier

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